Por motivos de obras e reformas, estou expulso de minha casa até pelo menos o começo de dezembro. Morando num apartamento mobiliado por temporada e com minha bagagem limitada, não trouxe nenhum console de mesa comigo.

Munido de um macbook 2018 com capacidade muito limitada de rodar quase qualquer jogo feito depois de 2014, resolvi revisitar meu HD externo. Achei uma coleção de ISOs de PS2 que nunca toquei. Não tive um PS2 (agora tenho um a restaurar, história para outro dia) e só joguei coisas muito famosas ou que foram portadas para outros consoles. Hora de testar um emulador de PS2 neste notebook idoso.

Olhando para a coleção de jogos e evitando os RPGs de dezenas de horas aproveitei o discurso em volta de um dos lançamentos do mês, Onimusha: Way of the sword (2026), para conhecer o primeiro jogo da série.

Onimusha: Warlords, um jogo de ação que passa no período Sengoku do Japão, começa com a morte de Nobunaga Oda (figura histórica) durante uma batalha e conta a aventura do samurai Samanosuke e da ninja Kaede na tentativa de resgatar a princesa Yuki e o órfão Yumemaru. Eles foram raptados por demônios que querem sacrificá-los em um ritual que daria mais poder sobrenatural a Nobunaga Oda, que não morreu de verdade, pois fez um pacto com os demônios para seiquelá, etc, etc. Uma doideira do cacete que não é contada de maneira brilhante nem fica muito inteligível durante o jogo.

Kaede pensando na vidaKaede pensando na vida.

É um jogo de começo da geração. Isso é muito visível em seus controles de tanque, menus burocráticos, câmera estática, cenários pré-renderizados e sensibilidades da geração anterior. Warlords joga como um Resident Evil 1, 2 ou 3 e provavelmente usa a mesma base de código, as semelhança são muitas e tenho muita dificuldade de não fazer comparações o tempo todo. Apesar disso é um jogo consideravelmente mais ágil e mais simples em suas dinâmicas.

Não se trata de um survival horror. Apesar de algum gerenciamento de recursos e itens de cura limitados que podem te deixar em soft-lock se você não for cuidadosa com o salvamento do jogo (que é ilimitado, outro ponto de simplificação), Onimusha é muito menos tenso nestes aspectos que qualquer Resident Evil da fórmula clássica. Seus quebra-cabeças também são muito mais diretos, os itens têm um lugar óbvio de uso (a cabeça da estátua que você pegou em uma sala vai na estátua sem cabeça 3 salas pra frente, etc), você nunca fica com itens de solução de quebra-cabeças por muito tempo e não há limite de inventário.

O destaque fica para o combate, que parece super simples no começo (um botão de ataque, um de defesa e só) e tem nuances surpreendentes que você percebe ao longo do jogo, como uma mecânica de contra-ataque que causa morte instantânea e rende orbes diferentes. Orbes também enriquecem a dinâmica do combate. A maioria dos inimigos não são desafiadores se enfrentados sozinhos, mas a coisa se complica rápido quando há mais de um ao mesmo tempo, visto que ao derrotar um adversário, ele deixa orbes (XP para upgrades, energia para golpes especiais ou vida) que precisam ser absorvidas ao segurar um botão antes que sumam. Esta ação deixa o jogador vulnerável a outros inimigos e o balanço entre absorver as orbes e continuar o combate adiciona uma boa camada de tática.

Sanosuke enfrentando o diabo de cueca e calcinhaSamanosuke enfrentando o diabo de cueca e calcinha.

Levei cerca de 7 horas no total para terminar o jogo uma vez e começar um “new game+” com dificuldade alterada, skin de panda e outras coisinha. Pelo que li por aí, se você terminar em um tempo menor que o meu (5 horas segundo o relógio interno do jogo) e pegar mais algumas coisas, há um novo modo de jogo e algumas opções de rejogabilidade que podem ser exploradas.

Onimusha: Warlords é de uma época em que joguei pouco videogame em minha vida, um hiato por conta de trabalho, pouco dinheiro e outras questões. Mas é uma época que me é confortável. Não tenho dificuldade de jogar coisas do começo dos anos 2000. As sensibilidades da época não são um problema para mim, acho quelas envelheceram bem em geral, seus atritos não me repelem. Se isso também não é um problema para você, está afim de diversão honesta, de conhecer uma das origens do gênero Hack & Slash e não vai ficar ofendido com uma narrativa ruinzinha, Onimusha: Warlords é super acessível, roda em quase qualquer computador e tem também um remaster lançado um dia desses para plataformas atuais. Recomendo bastante.